Finalizamos hoje a publicação dos textos premiados no concurso de escrita criativa, com os trabalhos apresentados por um aluno do 9º ano e um aluno do 12º ano que mereceram o prémio do júri.
A vida, a grande viagem de sonho!
A minha grande viagem de sonho é a que tenho feito desde que nasci. Sim, a minha viagem de sonho tem sido a própria vida.
Comecei a minha viagem quando nasci e parece que apanhei um avião rumo ao maravilhoso desconhecido. Entretanto, tenho percorrido várias terras mágicas.
A minha primeira paragem foi na infância, onde estive rodeado de carinho e sem preocupações. Guardo memórias das minhas brincadeiras como se fossem tesouros.
A medida que a viagem prosseguiu rumo à adolescência, surgiu alguma turbulência: desafios maiores na escola, com mais testes e avaliações, e também mais responsabilidade. Mas vieram igualmente mais momentos de alegria, mais tesouros para guardar na memória do coração, como novas amizades que vão surgindo, camaradagem e muitas paixões.
Cada aeroporto da vida é uma escolha que tenho de fazer: estudar mais, aprender algo novo, brincar, conviver com os amigos, estar com a família.
Algumas paragens têm sido fáceis, cheias de alegria e entusiasmo. Outras são mais difíceis, mas sei que todas fazem parte da viagem e ajudam-me a crescer a a tornar-me na pessoa que quero se.
A viagem da vida não avisa quando começa uma nova etapa, nem quando termina outra. Por isso, cada etapa é uma descoberta, cada passo é uma surpresa, cada paragem é uma oportunidade.
Uma coisa já percebi: na viagem da vida ainda não tenho um destino final. Aos 13 anos estou apenas no início desta viagem e sou eu que tenho o GPS que me pode guiar. Sou eu quem decide os caminhos com cada escolha que faço na vida.
No fundo, sou apenas um viajante da vida. E nesta viagem, o mais importante não é o destino, mas sim os caminhos que percorro e que me moldam e me transformam lentamente na pessoa que sei que quero ser.
Rodrigo Miguel Raposo Quadrado, Escola Bento Rodrigues, 9º A
A ilha que há em mim
Navego, triunfante , pelo misterioso oceano da questão
Incessantes batem as ondas na minha valente embarcação
Pelas intempéries do coração ou as mágoas do passado
Dou aos remos, rasgo as ondas, viajo apressado
Desacalmam as marés e ergue-se adiante,
Uma ilha, formosa, uma paisagem verdejante
Elegante e bela, miro a sua costa comprida
Nunca outrora se alcançou esta terra desconhecida
Aproximo-me com vigor, procuro obter respostas
Puxado pelas correntes, sinto o cheiro das encostas
Percorro o mar e quando perto ela já me parece,
Logo se põe o sol e o horizonte escurece
Acendo tochas, candeeiros, mas a luz ténue não avança
Derrotado, lanço a âncora, e perco toda a esperança
o sol fica escondido, a ilha não torna a aparecer
A minha viagem, o meu sonho, acabou ao anoitecer
Eis, então, que me deparo com uma visão de assustar
A embarcação quebra, a água entra e começo a afundar
encho baldes, tiro a água, mas o barco continua a encher
Tão injusto o destino, que cruel maneira de morrer!
Procuro o rombo esperando um fenda colossal
Porém deparo-me com um ínfimo furo no metal
Algo tão pequeno que me causa tamanha aflição!
Se pudesse voltava atrás e abandonava esta missão
Mas por entre o céu carregado, num ato de piedade,
Aparece a ilha esquecida e não controlo a felicidade
Procuro porto seguro que seja capaz de me abrigar
Aqui aguentarei o mau tempo, quiça até deseje ficar
Iço as velas e sou levado pelos bons ventos da motivação
encaro a tempestuosa maré, com coragem e ambição
Todavia quanto mais navego mais distante fica a margem
percebo então que fui enganado por uma sublime miragem
Desisto desta rota, sem desistir de remar
A ilha está perdida, mas há motivo para continuar
Um rasgo, um furo, consertá-los não era fácil
mas o tempo tudo cura se prosseguir esta viagem
Esta ilha que procurava era uma terra desolada
Se insistisse na viagem acabaria por ficar sem nada
Tão perto, tão longe, uma dúvida que fica a pairar
Mas não me fico com lamentos tendo o oceano por explorar
Amanhece, e brilha o sol, num novo e belo dia
Deixo de procurar a ilha e a segurança que queria
Agora só me resta esquecer e seguir em frente
Mesmo que tenha de continuar a fazê-lo eternamente
Tão perto, tão longe, uma dúvida que fica a pairar
Mas não me fico com lamentos tendo o oceano por explorar.
Martim Jónatas Raposo Quadrado , Escola Bento Rodrigues, 12º A
Parabéns aos autores e aos professores que apoiaram os alunos na realização desta atividade.
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