quinta-feira, 5 de março de 2026

Textos premiados no concurso de escrita criativa - UMA VIAGEM DE SONHO

 Finalizamos hoje a publicação dos textos premiados no concurso de escrita criativa, com os trabalhos apresentados por um aluno do 9º ano e um aluno do 12º ano que mereceram o prémio do júri. 

A vida, a grande viagem de sonho! 

A minha grande viagem de sonho é a que tenho feito desde que nasci. Sim, a minha viagem de sonho tem sido a própria vida. 

Comecei a minha viagem quando nasci e parece que apanhei um avião rumo ao maravilhoso desconhecido. Entretanto, tenho percorrido várias terras mágicas. 

A minha primeira paragem foi na infância, onde estive rodeado de carinho e sem preocupações. Guardo memórias das minhas brincadeiras como se fossem tesouros. 

A medida que a viagem prosseguiu rumo à adolescência, surgiu alguma turbulência: desafios maiores na escola, com mais testes e avaliações, e também mais responsabilidade. Mas vieram igualmente mais momentos de alegria, mais tesouros para guardar na memória do coração, como novas amizades que vão surgindo, camaradagem e muitas paixões.

Cada aeroporto da vida é uma escolha que tenho de fazer: estudar mais, aprender algo novo, brincar, conviver com os amigos, estar com a família. 

Algumas paragens têm sido fáceis, cheias de alegria e entusiasmo. Outras são mais difíceis, mas sei que todas fazem parte da viagem e ajudam-me a crescer a a tornar-me na pessoa que quero se.

A viagem da vida não avisa quando começa uma nova etapa, nem quando termina outra. Por isso, cada etapa é uma descoberta, cada passo é uma surpresa, cada paragem é uma oportunidade.

Uma coisa já percebi: na viagem da vida ainda não tenho um destino final. Aos 13 anos estou apenas no início desta viagem e sou eu que tenho o GPS que me pode guiar. Sou eu quem decide os caminhos com cada escolha que faço na vida. 

No fundo, sou apenas um viajante da vida. E nesta viagem, o mais importante não é o destino, mas sim os caminhos que percorro e que me moldam e me transformam lentamente na pessoa que sei que quero ser. 

Rodrigo Miguel Raposo Quadrado, Escola Bento Rodrigues, 9º A


A ilha que há em mim 


Navego, triunfante , pelo misterioso oceano da questão

Incessantes batem as ondas na minha valente embarcação 

Pelas intempéries do coração ou as mágoas do passado 

Dou aos remos, rasgo as ondas, viajo apressado


Desacalmam as marés e ergue-se adiante,

 Uma ilha, formosa, uma paisagem verdejante

Elegante e bela, miro a sua costa comprida

Nunca outrora se alcançou esta terra desconhecida


Aproximo-me com vigor, procuro obter respostas

Puxado pelas correntes, sinto o cheiro das encostas

Percorro o mar e quando perto ela já me parece, 

Logo se põe o sol e o horizonte escurece


Acendo tochas, candeeiros, mas a luz ténue não avança

Derrotado, lanço a âncora, e perco toda a esperança

o sol fica escondido, a ilha não torna a aparecer

A minha viagem, o meu sonho, acabou ao anoitecer


Eis, então, que me deparo com uma visão de assustar

A  embarcação quebra, a água entra e começo a afundar

encho baldes, tiro a água, mas o barco continua a encher

Tão injusto o destino, que cruel maneira de morrer!


Procuro o rombo esperando um fenda colossal 

Porém deparo-me com um ínfimo furo no metal

Algo tão pequeno que me causa tamanha aflição!

Se pudesse voltava atrás e abandonava esta missão


Mas por entre o céu carregado, num ato de piedade, 

Aparece a ilha esquecida e não controlo a felicidade

Procuro porto seguro que seja capaz de me abrigar

Aqui aguentarei o mau tempo, quiça até deseje ficar


Iço as velas e sou levado pelos bons ventos da motivação

encaro a tempestuosa maré, com coragem e ambição

Todavia quanto mais navego mais distante fica a margem

percebo então que fui enganado por uma sublime miragem


Desisto desta rota, sem desistir de remar

A ilha está perdida, mas há motivo para continuar

Um rasgo, um furo, consertá-los não era fácil

mas o tempo tudo cura se prosseguir esta viagem


Esta ilha que procurava era uma terra desolada

Se insistisse na viagem acabaria por ficar sem nada

Tão perto, tão longe, uma dúvida que fica a pairar

Mas não me fico com lamentos tendo o oceano por explorar


Amanhece, e brilha o sol, num novo e belo dia

Deixo de procurar a ilha e a segurança que queria

Agora só me resta esquecer e seguir em frente

Mesmo que tenha de continuar a fazê-lo eternamente 


Tão perto, tão longe, uma dúvida que fica a pairar

Mas não me fico com lamentos tendo o oceano por explorar. 


Martim Jónatas Raposo Quadrado , Escola Bento Rodrigues, 12º A


Parabéns aos autores e aos professores que apoiaram os alunos na realização desta atividade.  


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